Instituto Dupré de Taekwon-Do

A nossa filosofia

   
   
 

   
 
Devido à acelerada transformação das Artes Marciais em esportes recreativos de massas, os conhecimentos mais profundos e e práticas marciais mais avançadas (e mais complexas) das nossas Artes estão sendo abandonadas e esquecidas.

As formas antigas de treinamento foram desenvolvidas para o fortalecimento do Espírito e do Caráter, assim como do Corpo.

  • O fortalecimento do Caráter dá as armas para superar as dificuldades da vida.

  • O condicionamento do Corpo permite se defender em situações de risco de vida.

Assim, as Tradições das Artes de Luta devem ser consideradas parte da Herança Cultural da Humanidade e têm que ser mantidas e preservadas por serem um patrimônio inestimável.

As Artes Marciais são disciplinas de luta, física e intelectualmente exigentes. Elas são mais do que esportes recreativos ou "negócios marciais".

As Artes Marciais são disciplinas Físicas e Espirituais.

   

 

 

Por qué ?

Nas Artes Marciais esportivas dá-se muita ênfase à etiqueta (mais não ao respeito), ao embelezamento da roupa (adesivos, barras variadas e combinações coloridas, e até propaganda), e à graduação "fisiológica" fácil (como um fim egocêntrico e primitivo).

Para muitos, as Artes Marciais se traduzem no treinamento de técnicas extravagantes, acrobacias e (principalmente) ganhar campeonatos... Um "bom" instrutor é medido pelo número de seguidores e alunos com sucesso em campeonatos, ou pelo dinheiro que ganham. Mais não pela qualidade do seu ensino Marcial. Até as formas (Tul) são treinadas ornamentalmente, para os campeonatos, e não como uma ferramenta complementar de aprimoramento técnico.

A competição esportiva amadora tem ocupando o lugar da eficiência na luta e do desenvolvimento pessoal através das Artes Marciais. Algumas das organizações Mundiais de Artes Marciais (esportivas) têm obsessão com o crescimento e número de seguidores e em entrar (ou se manter) nas Olimpíadas. Para eles não importa que isso se traduza em aleijar (ainda mais) a sua Arte, transformando-a em um conjunto (ainda mais) simplificado (e menos perigoso) de técnicas, adaptadas ao “negócio” da competição esportiva, “fáceis de ensinar” e “bonitas de ver”.

A competição esportiva é importante; mas é uma parte menor das disciplinas de luta denominadas Artes Marciais. Sem treinar Artes Marciais em um contexto Marcial, não há Sul (habilidade na luta), nem Do (caminho de auto-desenvolvimento)... É só recreação e entretenimento.

A luta em campeonatos é uma ferramenta para testar (de forma controlada) a nossa habilidade e o nosso Caráter, fortalecendo o espírito de camaradagem com nossos colegas de Arte, trazendo honra e respeito ao nosso Dojang. Os campeonatos são um meio para o nosso desenvolvimento como lutadores e Artistas Marciais.

A frase de Musashi Miyamoto que colocamos no topo da nossa página principal é a premonição de um dos mais reconhecidos Artistas Marciais de todos os tempos, referendo-se ao que ele estava vendo já em 1643: "...As verdadeiras Artes Marciais são particularmente duras com as intricacias extravagantes, com a popularização comercial e o abuso do negócio marcial. O resultado dessas aproximações pode ser resumido na frase "(quando utilizadas em situações reais) as artes marciais recreacionais podem levar a ferimentos graves."

Como?

No final de 2004, iniciamos um projeto para organizar e disponibilizar as nossas pesquisas de recuperação, análise científica e organização (dentro das nossas possibilidades) os conhecimentos tradicionais (antigos) dos quais nossas modernas Artes Marciais foram desenvolvidas.

Esta pesquisa foi iniciada a mais de 25 anos atrás, e foi se desenrolando ao longo de diversas fases e desenvolvimentos. Quando possível, passando longos períodos na Coréia, China e Japão, estudando com diversos Mestres e especialistas, assim como em instituições de ensino formal (como o ano e meio que fiquei na China estudando Medicina Tradicional Chinesa e Artes Marciais internas). Alem dos desafios físicos e técnicos, sempre buscamos instrutores com sofisticação intelectual, capazes de oferecer um ensino de qualidade e embasamento teórico adequado.

   
     
 

Conservação e inovação

 
 

O General Choi Hong Hi ((최홍희 em Hangul e 崔泓熙 em Hanja), como muitos outros inteligentes e bem educados Mestres antes que ele, mostrou o caminho de como aprimorar as Artes Marciais. Sua aproximação criativa e eclética para estruturar o Taekwon-Do é incrível. O seu esforço de pesquisa e desenvolvimento ao longo de uma vida, deu-nos uma das mais sofisticadas e eficientes Artes Marciais de hoje.

 
Grand Master
Choi Hong Hi
 

Os inovadores mais destacados das Artes Marciais (e os melhores instrutores) são sempre intelectualmente brilhantes, bem educados, energéticos e voluntariosos (obsessivos até), capazes de estudar, entender e melhorar os métodos e as técnicas das Artes Marciais da forma em que eles as encontraram. Se você quer ser um bom instrutor, você deve buscar um guia com essas características, e seguir essa aproximação no aprendizado e na experimentação.

O General Choi escutou e aprendeu com todos aqueles que ele que tiveram alguma coisa útil para lhe ensinar. Ele sempre esteve desejoso de experimentar novas coisas. Ele desenvolveu o Taekwon-Do se baseando no Karate que aprendeu no Japão (método, estrutura e estratégia de luta) e Taekyon (dinâmica nos movimentos e algumas técnicas de perna). Ele ainda incluiu técnicas de Hapkido no seu programa de treinamento militar (mais tarde denominado Hoshinsul, no curriculum do Taekwon-Do). O Hapkido foi trazido a ele por alguns dos seus instrutores assistentes (no Exército Coreano) com antecedentes na Arte de Choi Young Sul.

O General Choi merece o nosso homenagem continuando do seu trabalho através da nossa criatividade consciente e responsável, preservando o passado para crescer no futuro, como ele féz ao longo da sua vida.

No entanto, não se trata de reinventar a roda, mas de trabalhar para que ela possa ser construída e utilizada de uma forma mais eficiente. Não se trata de mudar só pela mudança. Tampouco deve-se criar um culto a velhos e "prefeitos" Mestres e tradições "modernas" ou "ortodoxias" messiânicas. Se tomarmos por esse caminho, será o fim da nossa Arte da forma como foi concebida, e (seguramente) alguém vai fazer aquilo que nós não ousamos a fazer.

Uma vez mais, como na ciência, não existe espaço para fanatismos e irracionalidades. O Taekwon-Do existe justamente porque o General Choi não tomou por esse caminho.

 

 

 

Método

Para levar adiante este trabalho de pesquisa e divulgação, partimos da nossa formação científica e acadêmica, aplicando uma rigorosa estrutura de análise, seleção e organização do extenso material de base utilizado. Por isso, às vezes podemos ser menos amenos que os usuais textos de popularização, disponíveis na maioria dos livros e sites de Artes Marciais na Internet.

O nosso trabalho não se centra em seguir a propaganda das escolas marciais que asseguram ser representantes de "tradições milenares" como prova de sua "autenticidade". Tampouco aceitamos como tradições as supostas "técnicas perfeitas" criadas (quase sempre da nada) por alguma mestre mítico ou "Iluminado Supremo Grande Mestre", só olhando pássaros e serpentes (quanto mais pomposo o título e maior o número de cores no vestuário, menor o conteúdo técnico dessas pessoas).

A aplicabilidade das técnicas e dos métodos de treinamento tradicionais (e modernos) devem ser testados através de procedimentos cientificamente objetivos e replicáveis, assim como demonstrando a sua eficiência na luta e na melhora dos métodos de treinamento. Da mesma forma, as Artes Marciais só podem ser realmente aprimoradas através das mesmas aproximações metodológicas de pesquisa e desenvolvimento. A eficiência é o objetivo final (único).

Para assegurar que o nosso trabalho como instrutores de Artes Marciais seja o mais completo e rigoroso possível, devemos preservar o nosso legado marcial, da forma mais intacta e completa possível. Não devemos reinventar a história (ou acreditar naqueles que assim o fazem), manipulando os fatos de forma a justificar mudanças irracionais. O legado das Tradições Marciais é o berço de onde tudo que fazemos hoje foi desenvolvido, e é o que determina para onde vamos. Só através da preservação e estudo do passado, no contexto das Artes Marciais de hoje, é que poderemos avançar e nos transformar em verdadeiros Mestres e (tal vez) contribuir para a sua melhora.

Para avançar nesta linha de trabalho, no início de 2005, durante a minha estada na Coréia, treinando Taekyon e Hapkiyusul, estive em contato com diversos colegas instrutores, buscando idéias e novos ángulos de análise, visando encontrar a melhor alternativa para a implementação do TechGate, o nosso projeto de pesquisa, conservação e divulgação.

Estratégia do Projeto

Os critérios utilizados para a priorização do trabalho de pesquisa, conservação e ensino de métodos e técnicas de luta e treinamento são:

  • Aplicabilidade (eficiência) marcial (não orientado a competição esportiva) (*);
  • Amplo suporte histórico em cada área de estudo;
  • Provado cientificamente e/ou que tecnicamente faça sentido; e
  • Em perigo de extinção (se cumprir com algum dos critérios acima. Quanto mais em perigo, maior a energia dedicada a seu resgate, organização e divulgação).

    (*) Como critérios de validação ou inclusão não são consideradas crenças religiosas ou metafísicas, ou fanatismos nacionalistas e racismo (bastante freqüente entre Mestre Orientais mais velhos).

Para entender os conhecimentos oferecidos no nosso TechGate, é requerida uma grande dedicação e estudo sério. A educação Marcial é intelectualmente exigente. Você pode necessitar um razoável conhecimento prévio de anatomia e fisiologia, Medicina Tradicional Oriental e ervas medicinais, filosofia e cosmogonia Orientais, Teoria do Ki e (até) caligrafia Hanja.

Uma introspecção pessoal

O falecido Sr. Song Tae Il, um velho especialista (tradicional) de Hanbang, da cidade de Daegu, sempre mostrou uma paciência interminável para aceitar os meus questionamentos pouco “ortodoxos” sobre o conhecimento tradicional do Hanbang. Por isso, ele me falou (durante uma das minhas visitas em 1987) que “você aprende quebrar, você sabe concertar...” (tradução do pouco e esforçado inglês que ele falava). Ele estava preocupado em me ver tão possesso na busca de aprofundar o meu conhecimento da sistemática da combinação de ingredientes de Hanbang para elaborar melhores fórmulas para o condicionamento nas Artes Marciais... ou seja, para "quebrar" (como ele falava) alguém “marcialmente”... Naquela época, eu escrevi a frase no meu caderno de notas, (como ele a pronunciou). Ainda hoje ela é uma boa lembrança sobre as implicações do treinamento nas Artes Marciais sem ter claras as suas conseqüências práticas e morais. Ele tentava me fazer entender que apreender Hanbang para condicionar meu corpo não era suficiente ou moralmente correto. O conceito subjacente é que apreender Hanbang deve servir para assistir e melhorar a Vida, assim como as Artes Marciais são para protegê-la.

As Artes Marciais não são só chutar e dar socos (ou repetir frases feitas sobre moral que poucos seguem)... Tampouco significa que você tenha que ser um médico, mas você tem que apreender sobre as conseqüências de aplicar as suas habilidades marciais. Para entender o conceito de Do, você tem que entender o valor da Vida, assim como da importância da ética e do correto comportamento social. Lamentavelmente, este entendimento é uma coisa pouco observada nos esportes marciais de hoje. Por isso, o nosso Instituto é uma entidade independente da ITF no Brasil. Da mesma forma, tampouco o esporte é a nossa atividade principal. O IDT é um Instituto de Cultura e Treinamento Marcial.

É sempre Um e Yang... Já se tem passado mais de 40 anos desde que me iniciei nas Artes Marciais, e a lição mais importante que aprendi desde então é que entender (de verdade) esse simples conceito dual é o primeiro passo no Caminho de auto-desenvolvimento como Ser Humano. Ser um bom lutador e Artista Marcial é uma conseqüência.

Dr. Daniel Dupré
6o Dan Taekwon-Do (1997)
6o Dan Hapkido (2005)

 
 
 
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