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A palavra tradição vem do Latim traditio que significa "legar" ou "transmitir" um conhecimento ou crença. Por definição, as tradições são legadas oralmente, ou através de mecanismos não escritos, como danças ou Formas (nas Artes Marciais antigas).
Os conhecimentos tradicionais são não-científicos e (a maioria das vezes) não estão baseados em uma análise lógica ou em uma experimentação objetivamente estruturada. As tradições são altamente marcadas pela cultura, estrutura e regras sociais, assim como pelas perspectivas pessoais do criador das mesmas. A Cultura define o marco conceitual de desenvolvimento (crenças religiosas, mitos e tabus). A estrutura social define a escala de valores, constrangimentos morais e a hierarquia (muito importante em sociedades Confucianistas como a Coreana). Ainda, a subjetividade (e astúcia) pessoal era um elemento muito importante em tempos pré-científicos, onde os indivíduos desenvolviam seu trabalho de forma empírica.
Nas Artes Marciais, os conhecimentos podem ser considerados tradicionais se eles forem velhos o suficiente (pré-científico) e transmitidos de forma oral ou simbólica, através das gerações.
Só poucas escolas de Artes Marciais podem ser definidas como Tradicionais. Na Coréia só podem ser consideradas tradicionais o Taekyon, Ssirum e Hapkiyusul, uma rama do Daito Ryu Ju Jujitsu Japonês, predecessor do Hapkido.
O Taekwon-Do e o Hapkido não são Artes Marciais Tradicionais. Elas são Artes Marciais modernas, integradas a partir de outras, elas sim tradicionais, acrescidas de desenvolvimentos científicos e empíricos, ou seja, integrações harmônicas baseadas na experiência humana (por isso são chamadas de "Artes" Marciais).
Lamentavelmente, existem muitas e bem conhecidas escolas marciais que se auto-intitulam como "tradicionais" para justificar a sua existência independente, por motivos financeiros e/ou de poder, fazendo recurso a distorções históricas grosseiras sobre a sua orígem, para esconder que são, na realidade, inventos modernos.
Salientamos, no entanto, que as Artes Marciais Tradicionais não são melhores que as evoluções ulteriores, simplesmente por serem mais velhas. Elas mesmas são modernas se comparadas com as Artes que as precederam... No entanto, muitas delas se apresentam como detentoras de uma "essência marcial" (sabe lá que isso significa) perdida pelas Artes Marciais modernas. Se for assim, as máquinas de vapor seriam melhores que as com motor de explosão e o boxe do Jack Dempsey seria melhor que o de Muhamed Ali.
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O qué significa Ortodoxia
nas Artes Marciais?
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A palavra ortodoxia é muito utilizada por Mestres de Artes Marciais para impor a sua autoridade como “portadores” da “tradição” marcial dos seus estilos. Esta palavra deriva do Grego ortho, que significa “correto” ou “direito”, e doxa, que significa “ensino” ou “adoração”. O termo foi criado pelos Cristãos Gregos para se referir à forma “correta” de doutrina religiosa, de acordo com o determinado pela “autoridade” religiosa. Ou seja, a “ortodoxia” refere-se ao artigo da Fé Religiosa e não a Estilos ou Artes Marciais.
Nas Artes Marciais, o termo estilo “ortodoxo” é só uma imposição arbitraria dos que estão no comando de uma escola, sobre aqueles que são membros de forma a evitar qualquer questionamento ou dissidência.
O termo ortodoxia se opõe a heterodoxia, que significa “outro ensino” ou “ensino diferente”, que (seguindo o conceito da “tradição ortodoxa”) leva a heresia. E todos nós sabemos o que acontece com os hereges em tempos de intolerância ignorante.
As Culturas Orientais de todos os tempos tem sido tolerantes, incentivando a variação e a criação, com poucas exceções, como nas últimas Dinastias Coreanas, fortemente influenciadas pelo Confucionismo.
A pesar disso, no século XX, foi incorporada a influência (errada) dos termos Ortodoxia e Tradição, utilizados no Ocidente. Estes termos foram combinados em uma forma muito bizarra por diversas Escolas de Artes Marciais, para impor seus objetivos políticos e financeiros. |
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O que eles querem dizer quando falam da “tradição” é simplesmente uma interpretação bizarra do conceito de “ortodoxia”, aplicada às questões não-religiosas, o que é ridículo e injustificável (veja o artigo ao lado).
Em tempos onde a ciência e a tecnologia são a principal (ou única) ferramenta de desenvolvimento, é impossível pensar seriamente que podem ser feitos aprimoramentos técnicos através de meios empíricos. Para isso, são necessários cientistas altamente treinados, e muito trabalho de pesquisa e desenvolvimento, seguindo procedimentos muito rigorosos.
Os únicos desenvolvimentos não-científicos aceitáveis são aqueles não relacionados à técnica, e sim a harmonia e estratégia na aplicação da técnica (de novo, por isso são denominadas de "Artes" Marciais). Isso pode ser observado no Jiu-Jitsu Brasileiro, que não é uma Arte Marcial Tradicional, nem uma Arte moderna desenvolvida através de procedimentos científicos. No entanto, ele acresce uma nova harmonia técnica e uma aproximação estratégica bastante original à integração das técnicas de Artes tradicionais (Judô/Ju-Jitsu Japonês e Luta Livre Ocidental), superando elas em vários aspectos em se tratando de luta no solo.
O Taekwon-Do ITF é uma Arte moderna, com técnicas desenvolvidas aplicando procedimentos científicos. O General Choi seguiu uma estratégia de longo prazo, de análise comparativa e pesquisa aplicada ao desenvolvimento, refinamento e melhora do Taekwon-Do ITF. E ele fez isso até o último dos seus dias.
Isso é o fascinante do Taekwon-Do ITF: ele seguiu uma estratégia não-ortodoxa de melhoramento técnico, suportada fortemente na utilização de procedimentos científicos. Não existem estilos em Taekwon-Do. Estilos são simplesmente as formas em que os indivíduos se adaptam a estruturas técnicas, considerando a suas características pessoais, tais como peso, proporções, composição muscular, etc.
Hoje, para ser um instrutor destacado e/ou um inovador, você deve ter também uma educação formal muito aprimorada (e uma incrível intuição e muita experiência). Esta é uma tendência generalizada no Mundo atual das Artes Marciais. Os melhoramentos técnicos são desenvolvidos em avançados laboratórios de pesquisa, utilizando poderosos computadores para realizar analises cinemáticas, modelagem e otimização da dinâmica dos movimentos em ambientes gráficos 3D, com o uso intensivo de matemáticas e estatística, associado a ferramentas de medição muito sofisticadas.
Não importa se os avanços técnicos são orientados à luta esportiva ou a confrontos sem regras. O método de desenvolvimento é o mesmo, independente das circunstancias. Hoje, qualquer desenvolvimento nas Artes Marciais deve ser feito através de meios científicos.
O cuidando com as tradições
Ao longo de centos de anos, os nossos ancestrais desenvolveram lentamente as bases do que somos hoje. Eles não tinham o método científico nem as ferramentas para realizar um trabalho racional e econômico. Eles investiram uma enorme quantidade de trabalho empírico ao longo de décadas ou séculos, para fazer cosas que (hoje) poderíamos ter condições de fazer em alguns poucos meses. Por isso, o conhecimento Marcial Tradicional é precioso per-se e deve ser preservado intocado a qualquer custo.
As aproximações esportivas e comerciais do treinamento marcial estão abandonando porções significativas do mais elaborado conhecimento das Artes de Luta originais. Essas Artes de Luta antigas foram desenvolvidas através de testes empíricos no campo de batalha ou em cenários de luta sem regras (realmente sem regras), hoje impossíveis de replicar. A experiência acumulada naqueles tempos é de importância inestimável. A perda desse conhecimento pode ser desastroso para o futuro das Artes Marciais como Artes de Luta.
Para preservar esse legado, devemos trabalhar da mesma forma em que fazemos pesquisa antropológica e etnobotânica sobre os usos tradicionais indígenas das espécies da floresta Amazônica (medicinas, matérias primas industriais, etc.). Devemos aplicar procedimentos científicos à pesquisa e organização das técnicas e dos métodos de treinamento tradicionais. Devemos preservar o passado para avançar no futuro.
Se muitos de nós fizermos a mesma coisa (cada quem na sua área de especialidade, e de forma colaborativa), poderíamos ter uma ITF muito mais forte. O Taekwon-Do tem que se manter como uma Arte Marcial Moderna, profundamente enraizada no passado.
Nossa seção TechGate é a nossa forma de contribuir a esse esforço de preservação.
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